PAULO HENRIQUE Colunista de Saúde





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feed vende medicamentos: como regulá-lo?

Ferramentas de controle da propaganda de remédios estão obsoletas. Surgiram na era da TV e do rádio – e não estão prontas para conter as engenhosas “publis” das redes sociais, muitas vezes veladas. Sem atualizar regulação, aprofunda-se a medicalização da vida

Por José Gomes Temporão, autor convidado

Título original: Do intervalo comercial ao feed infinito: propaganda de medicamentos e o mito da saúde na era das redes sociais

Em 1986, publiquei A propaganda de medicamentos e o mito da saúde pela editora Graal/Paz e Terra. À época, meu objeto era estudar o impacto das publicidades de medicamentos pelos meios de comunicação de massa (rádio, televisão, revistas, jornais), que tiveram um grande crescimento a partir dos anos 80 do século passado. Preocupava-me com os efeitos dos conteúdos publicitários em quatro dimensões: 


• Estímulo ao autoconsumo e naturalização da automedicação;  

• Gastos desnecessários, comprometendo o orçamento doméstico;

• Potencial iatrogênico do consumo sem controle ou supervisão médica;

• e impacto na construção de uma consciência sobre saúde e terapêutica pela população, a partir do consumo dos conteúdos publicitários em seus  aspectos políticos e ideológicos.

Quase quatro décadas depois, torna-se urgente retomar esse debate considerando que o problema mudou de escala, linguagem e natureza. A  publicidade saiu dos intervalos comerciais da TV e do rádio, e passou a habitar o feed (fluxo contínuo de conteúdo) infinito das redes sociais, apoiada em algoritmos que conhecem com precisão os medos, anseios, desejos e hábitos  de cada consumidor. 

1. Da propaganda de massa ao marketing algorítmico 

Nos anos 1980, a publicidade de medicamentos pelos meios de comunicação de massa operava principalmente como estratégia de marketing da Indústria Farmacêutica para a divulgação de produtos de venda livre (fitoterápicos, polivitamínicos, analgésicos, antigripais, etc.). Além disso, o espaço publicitário era claramente identificável e delimitado. Hoje, o cenário é outro.


Como analisa Stacciarini (2024), a publicidade de medicamentos passou a incorporar de maneira sistemática as ferramentas das plataformas digitais que incluem a segmentação algorítmica, o monitoramento de comportamento online, a personalização de mensagens, o uso de influenciadores e a produção de conteúdos “educativos” patrocinados. A fronteira entre informação, opinião e propaganda, que já era problemática nas mídias tradicionais, torna-se quase invisível. 

Na prática, o usuário que pesquisa por “dor crônica”, “envelhecimento saudável”, “ansiedade”, “emagrecer rápido” ou “insônia” passa a receber, por dias e até semanas, conteúdos relacionados a medicamentos, suplementos e terapias “revolucionárias”. Esses conteúdos se apresentam na forma de depoimentos pessoais, relatos de experiência, vídeos motivacionais ou “dicas de especialista”, e não como anúncios. O direcionamento é individualizado: cada um vê uma combinação específica de mensagens, definida por algoritmos opacos. 

Não estamos mais diante de um anúncio isolado onde o garoto propaganda era frequentemente um artista famoso ou um atleta de renome, mas de uma ecologia comunicacional em que o medicamento é onipresente, embora raramente identificado de forma explícita como objeto da propaganda. 

2. Redes sociais, automedicação e cultura farmacológica 

O Brasil sempre conviveu com altos índices de automedicação. Estudos recentes atualizam esse quadro e reforçam sua gravidade. Hammerschmidt e Matos (2025) descrevem a automedicação como prática cotidiana, associada a fatores como dificuldade de acesso a serviços, repetição de prescrições antigas, cultura de “remédio para tudo” e influência da publicidade, com impactos clínicos importantes como: ocorrência de reações adversas, intoxicações, interações medicamentosas, desenvolvimento de resistência antimicrobiana, aumento de custos para o sistema de saúde, entre outros. 

Um trabalho recente de revisão analisou especificamente a relação entre redes sociais e automedicação no contexto brasileiro (SANTOS, M. C., 2025). A síntese aponta que as plataformas digitais potencializam o comportamento de automedicar-se ao:

• facilitar o acesso a relatos de experiência de outros usuários; 

• amplificar recomendações de influenciadores digitais, na esmagadora maioria guiadas por interesses comerciais; 

• promover conteúdos que destacam apenas os potenciais ou hipotéticos benefícios percebidos do uso de medicamentos, minimizando riscos e  contraindicações. 

A automedicação, que já era estimulada por fatores culturais e por lacunas de acesso, passa a ser ativada também por mecanismos de recomendação algorítmica. Em outras palavras, a pessoa passa a ser direcionada ao consumo, por um ambiente informacional que associa sofrimento, desejo de alívio rápido e roteiro pronto de soluções farmacológicas mágicas. 

Nesse sentido, as mitologias da saúde que analisei em 1986 permanecem presentes, mas são agora mediadas por tecnologias que individualizam a mensagem e ampliam seu poder de persuasão.

Propagandas apelativas nas redes sociais. Montagem: Jornal da USP

3. O emblemático exemplo dos medicamentos para emagrecer 

Entre os exemplos contemporâneos, poucos são tão ilustrativos quanto os dos medicamentos para emagrecer. 

Souza, Colli e Andrade (2024) analisam a influência e os riscos das mídias sociais no uso de fármacos para perda de peso. Mostram como influenciadores digitais, frequentemente sem nenhuma formação em saúde, promovem o uso de tais medicamentos associando-os à obtenção de um corpo ideal, ao aumento da autoconfiança e à ascensão social. A retórica é aspiracional e afetiva; os riscos, quando mencionados, aparecem como detalhes secundários. 

Pombeiro et al. (2025), por sua vez, examinam a automedicação de semaglutida para perda de peso no Brasil. A análise evidencia um padrão caracterizado por uso off label, ausência de acompanhamento clínico sistemático, compra irregular e consumo orientado por conteúdos de redes sociais e relatos de terceiros. A banalização de efeitos adversos relevantes, inclusive gastrointestinais e metabólicos, é um traço recorrente.

Esse caso condensa diversos elementos centrais da nova etapa da medicalização: 

• a redução da complexa percepção corporal a um problema de “corpo inadequado” a ser corrigido farmacologicamente; 

• a transformação de um medicamento originalmente indicado para diabetes em símbolo de performance estética, alavancado por celebridades e influenciadores; 

• a erosão da mediação clínica qualificada, substituída por tutoriais, reviews e depoimentos virais. 

Na prática, a promessa de emagrecimento rápido sintetiza o mito da saúde na era das redes, qual seja, uma solução farmacológica para problemas que são, em grande medida, sociais, culturais e econômicos. 

4. Marco regulatório analógico, problema digital 

Desde a Constituição de 1988, o Brasil vive uma tensão permanente entre dois polos. De um lado, a proteção à saúde do consumidor; de outro, a liberdade de expressão e os interesses econômicos da indústria e dos meios de comunicação. Diversos projetos tentaram restringir de forma mais dura – ou mesmo proibir – a publicidade de medicamentos nos meios de comunicação de massa, como o PL  5.220/2016, que tinha por objetivo vedar a propaganda ao público leigo, admitindo apenas anúncios para profissionais de saúde e em publicações especializadas. Nenhum deles foi aprovado. Continuam vigentes a Lei n.º 6.360/1976 e, sobretudo, a Lei n.º 9.294/1996, que não proíbe a publicidade, permitindo anúncios ao público para medicamentos isentos de prescrição, com advertências obrigatórias que beiram o ridículo (a persistirem os sintomas, consulte seu médico!). 

Foi nesse contexto que surgiu a Resolução RDC n.º 96/2008 da Anvisa, que detalhou regras para a propaganda de medicamentos em qualquer meio, proibindo, por exemplo, associações a desempenho físico ou sexual superior, uso de imagens com pessoas tomando o produto de forma sedutora, propaganda indireta em espetáculos, além de exigir advertências adicionais. A agência, na prática, tentou suprir lacunas da lei e adaptar o controle à realidade da publicidade moderna.  

Essa estratégia, porém, foi sendo progressivamente judicializada. Em 2024, a Primeira Turma do STJ decidiu que a Anvisa extrapolou a própria competência ao criar, por resolução, obrigações e condicionantes à propaganda de medicamentos que não encontram respaldo direto na Lei n.º 9.294/1996, afirmando que cabe ao Congresso, e não à agência, definir novas restrições à publicidade comercial.  

Em 2025, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, negou seguimento ao recurso da Anvisa, mantendo na prática o entendimento do STJ de que a agência não pode, por resolução, impor limites adicionais à propaganda de remédios sem base legal específica.  

As proibições gerais defendidas pela Saúde Coletiva nunca se concretizaram, e a tentativa da Anvisa de ampliar as restrições pela RDC 96/2008 foi, em grande parte, esvaziada pelas cortes superiores.  

Nesse cenário, ganhou peso a autorregulação publicitária: o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, administrado pelo Conar [Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária], que estabelece normas para a propaganda de medicamentos em todos os meios – inclusive digitais –, julga denúncias e recomenda alterações ou suspensões de  campanhas. Mas trata-se de um arranjo privado, voluntário, sem sanção estatal direta, defendido pelo próprio Conar exatamente para fugir a restrições legais mais rígidas.  

O problema é que o marco legal vigente, largamente permissivo, foi desenhado para um universo analógico, baseado em comerciais claramente identificados em rádio, TV, jornal e revista. O ambiente digital funciona em uma lógica em que predominam a segmentação algorítmica, posts patrocinados difíceis de identificar como anúncios, influenciadores que misturam relato pessoal com mensagem comercial, grupos fechados e conteúdo que cruzam fronteiras em segundos. Justamente quando a publicidade de medicamentos migra com força para essa dimensão, mais opaca e de difícil fiscalização, a Anvisa vê sua margem de atuação reduzir-se, e o país permanece sem uma lei específica que enfrente a realidade do marketing digital em saúde.

Campanhas educativas permanentes sobre os riscos da automedicação, como as previstas na Lei n.º  14.912/2024, seriam um avanço. Mas, diante da assimetria de poder entre uma autoridade sanitária com instrumentos limitados e um mercado globalizado de plataformas digitais, permanecem claramente insuficientes.  

Nesse contexto, o que está em jogo não é apenas um detalhe jurídico sobre quem pode restringir anúncios, mas o próprio regime de produção de sentido sobre a saúde no país. Um marco legal permissivo, temperado por uma autorregulação conduzida por atores econômicos interessados na expansão do consumo, favorece a persistência do velho “mito da saúde”: a crença de que, para cada mal-estar, existe um produto pronto, acessível e seguro, agora embalado em vídeos curtos, depoimentos de influenciadores e campanhas segmentadas.  

Em outras palavras: enquanto o Estado permanece preso a um marco analógico e o debate público aceita a autorregulação como suficiente, o mercado ocupa o feed e reescreve, em linguagem algorítmica, o mito de que saúde é, sobretudo, aquilo que se compra em frascos e comprimidos. 

Créditos: Livro “Vendendo saúde – a história da propaganda de medicamentos no Brasil”

5. Caminhos possíveis para a saúde pública 

Diante desse quadro, o que pode fazer a saúde pública? 

Em primeiro lugar, é preciso atualizar a regulação. A legislação sobre publicidade de medicamentos precisa ser revista à luz do ambiente digital, incorporando: 

• Regras claras para a participação de influenciadores na divulgação de  medicamentos e produtos de saúde. É o que propõe o Projeto de Lei nº 5990/2025, que proíbe influenciadores digitais de divulgarem conteúdos sobre temas que demandem conhecimento especializado e que possam representar risco para seus seguidores, salvo se possuírem certificação ou comprovação de qualificação técnica sobre o assunto;  

• Exigências de transparência para plataformas, incluindo repositórios públicos de anúncios em saúde e acesso a informações sobre segmentação de público;

• Mecanismos de responsabilização por conteúdos que violem normas estabelecidas pelas autoridades sanitárias. 

Em segundo lugar, é indispensável fortalecer a capacidade analítica e de monitoramento do próprio Estado, com equipes capazes de acompanhar fluxos de informação em redes, identificar tendências de automedicação associadas a determinados produtos e responder com campanhas e ações regulatórias em tempo adequado. 

Em terceiro lugar, é urgente investir em educação em saúde, articulando escolas, universidades, serviços de saúde, conselhos profissionais e mídias. Não se trata apenas de informar sobre riscos do consumo de determinado medicamento, mas de criar condições para que as pessoas leiam criticamente a publicidade disfarçada, reconheçam conflitos de interesse e valorizem a relação clínica  qualificada. 

No livro de 1986, argumentei que a propaganda de medicamentos servia a um projeto mais amplo de medicalização da vida. Ao separar saúde de seus determinantes sociais e reduzi-la a resultado do consumo de produtos farmacêuticos, esse modelo deslocava o debate da esfera coletiva para o campo individual. 

Quase quarenta anos depois de ter analisado a propaganda de medicamentos nos meios de comunicação de massa, constato que o problema se complexificou. A propaganda hoje está entranhada na textura da vida digital e mediada por algoritmos. Mas a tarefa da saúde pública permanece a mesma: denunciar os mitos que obscurecem as causas reais do adoecimento e proteger  a população dos riscos – médicos, econômicos e simbólicos – de um modelo que ilude ao vender saúde em frascos e likes.

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Enamed como exame de proficiência: quais os riscos?

O Governo Federal avalia tornar o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) uma prova de proficiência, fazendo com que o médico recém-formado dependa do desempenho nessa avaliação para obter seu registro profissional. A proposta foi levantada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que aponta um grave problema estrutural na formação médica nacional. Segundo os resultados do exame, um terço dos cursos, de maioria privada ou municipal, obtiveram desempenho insuficiente

O ministro da saúde, Alexandre Padilha, aponta a hipótese como uma oportunidade vantajosa, principalmente porque o Congresso já debate a necessidade de um exame de proficiência médica. Padilha aponta que o exame seria feito em três momentos ao longo do curso, avaliando o progresso dos estudantes. Além disso, seria feito pelo Ministério da Educação, e não qualquer outra entidade que possa ter interesses além da formação médica. 

A proposta só pode entrar em vigor após alterações na legislação brasileira, ou seja, em edições futuras. O CFM, contudo, estuda fazer isso ainda com os resultados de 2025, impedindo o registro dos formandos que tenham obtido nota insuficiente no exame. 

Em artigo publicado no Outra Saúde, o médico sanitarista Hêider Aurélio Pinto aponta algumas das problemáticas existentes na chamada “OAB da medicina”. Os alvos declarados PL 2.294/24, do Senador astronauta Marcos Pontes (PL/SP), que propõe a criação dos exames em questão são: “proliferação indiscriminada de cursos de Medicina” e a “precariedade na formação de médicos”. 

Hêider aponta, contudo, que a instituição de uma prova atua como uma maneira de enterrar a necessidade de fiscalização dos diversos cursos de graduação abertos, principalmente entre o setor que lucra com a privatização da educação. Em outras palavras, acaba por punir o estudante que pagou por um ensino precário, não a empresa que precarizou o ensino. 

Da mesma forma, colabora com o interesse de organizações médicas, que querem frear a entrada de novos médicos no mercado de trabalho para evitar perda de valor de seus serviços. Assim, a fiscalização que seria de responsabilidade do MEC e do MS é transferida ao exame, que pune unicamente o indivíduo e não soluciona o problema estrutural em questão.

O artigo cita, ainda, a possibilidade da criação de um novo problema. Ao contrário dos profissionais do direito, que, ao reprovarem na OAB, podem atuar de outras maneiras, o recém-formado em medicina não podendo exercer a profissão. É delegado à atuação irregular para se manter e até mesmo pagar a dívida criada pela instituição privada de ensino em que esteve inserido. 

Cofen e anvisa autorizam enfermeiros a prescrever antibióticos

Nesta quinta-feira (22), o Conselho Federal de Enfermagem publicou uma resolução que amplia os medicamentos que podem ser prescritos por enfermeiros. A lista que consta no Diário Oficial da União inclui antibióticos como amoxicilina, azitromicina e eritromicina. 

Em nota, a entidade aponta que a atuação dos profissionais da enfermagem como prescritores irá impactar positivamente a sociedade, uma vez que amplia o acesso aos serviços de modo seguro. A mudança ocorreu após a Anvisa ter atualizado o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), autorizando, no ano passado, a indicação de antibióticos por enfermeiros. 

O Conselho Federal de Medicina, por outro lado, entende a movimentação como um risco à população e uma invasão às atribuições médicas, além de afirmar que o Cofen afronta a legislação brasileira e o STF: “enfermeiros não têm conhecimento nem competência técnica para realizar, visto que não faz parte de sua formação”.

EUA saem oficialmente da OMS – e com dívidas

Essa semana, os Estados Unidos deixam oficialmente a Organização Mundial da Saúde, processo iniciado por Trump no começo de seu segundo mandato. Ao assumir a presidência do país em 2025, uma de suas primeiras ações foi assinar uma ordem executiva notificando com antecedência de um ano o rompimento com a entidade, como exige a lei norte-americana. 

Com o anúncio, Trump cita a “má gestão” da pandemia de covid-19 pela OMS e sua incapacidade de se manter independente da influência política dos Estados-membros. Isso refletia a crença de Trump de que a liderança da OMS favoreceu a China no início de 2020, elogiando sua resposta inicial à crise sanitária e criticando os EUA por fecharem suas fronteiras para viajantes chineses.

O conflito envolve, também, a intenção de suspender qualquer tipo de transferência de fundo à entidade, com um porta-voz do governo apontando que “O povo americano já pagou mais do que o suficiente para esta organização”. O processo de ruptura, contudo, pode ser questionado pelas dívidas ainda não pagas do país com a entidade.  

* * *

Dengue e desigualdade

Pesquisa realizada pela Fiocruz se debruça sobre como a desigualdade afeta profundamente a vulnerabilidade das pessoas diante da dengue. O estudo aponta que homens negros, da região Nordeste, com baixa escolaridade têm até duas vezes mais chances de morrer pela doença. Saiba mais.

Ozempic falso

O uso de caneta emagrecedora vendida de forma ilegal levou uma mulher a internação em estado grave. Com a popularização dos medicamentos em questão, diversas alternativas proibidas pela Anvisa têm sido comercializadas. Autoridades, contudo, alertam para os riscos. Confira mais informações.

Recusa a transfusão de sangue 

O TRF da 2ª Região determinou a necessidade de um programa de gerenciamento e manejo de sangue de pacientes em todos os hospitais federais. A decisão determina que todos os hospitais federais ofereçam alternativas à transfusão, o que beneficia pacientes que não aceitam o procedimento, como testemunhas de Jeová. Entenda.

Terceirização em Porto Alegre

A Atenção Básica de Porto Alegre passa por instabilidade diante do rompimento de contratos entre a prefeitura e empresas terceirizadas responsáveis pela gestão de postos na capital. Esse é o modelo de administração em 90% das Unidades Básicas da capital gaúcha e gera questionamentos entre os conselhos locais. Confira a matéria.

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Anvisa quer priorizar tecnologias desenvolvidas no país

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende, em 2026, priorizar a análise regulatória de inovações desenvolvidas no Brasil, com foco em produtos estratégicos para o SUS. Em entrevista à Agência Brasil, o diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, afirmou que a meta é reduzir a fila de análises e dar maior celeridade a medicamentos, vacinas, dispositivos médicos e tecnologias em saúde produzidas no país.

Segundo Safatle, a Anvisa busca corrigir uma dependência histórica de inovações importadas, fortalecendo a capacidade nacional de pesquisa, desenvolvimento e produção. A estratégia inclui reorganizar fluxos internos e critérios de priorização, sem abrir mão do rigor técnico e da segurança sanitária, para estimular a indústria nacional e ampliar o acesso da população a tecnologias desenvolvidas localmente.

Pobreza menstrual acomete mulheres encarceradas

Um levantamento do centro de pesquisa JUSTA, com dados de 2023, obtido pelo G1, revela a precariedade do acesso a absorventes em presídios femininos no Brasil. Segundo o estudo, os estados gastam menos de R$ 3 milhões por ano com itens de higiene menstrual para detentas, valor que corresponde a apenas 0,01% do orçamento total do sistema prisional.

A insuficiência de recursos obriga mulheres privadas de liberdade a improvisar com pedaços de colchão, papel ou panos durante o período menstrual, expondo-as a riscos de infecção e violando direitos básicos de saúde e dignidade. O levantamento reforça críticas sobre a negligência estrutural do sistema prisional em relação às necessidades específicas das mulheres encarceradas – e a má condição de saúde da população encarcerada em geral.

EUA impõem novas regras para ajuda financeira à saúde global

Os Estados Unidos estão reformulando sua política de ajuda internacional em saúde após o desmonte da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Segundo o New York Times, o Departamento de Estado dos EUA iniciou negociações de acordos bilaterais com países do Sul Global, principalmente na África, que vinculam a liberação de bilhões de dólares em ajuda à saúde a contrapartidas financeiras e compromissos orçamentários assumidos pelos próprios governos nacionais na saúde de seus países.

A mudança rompe com décadas de cooperação baseada em programas multilaterais contínuos, como os de combate ao HIV, à tuberculose e à malária. Especialistas alertam que o novo modelo pode aprofundar desigualdades, fragilizar sistemas de saúde já sobrecarregados e deixar populações vulneráveis sem assistência caso os países não consigam cumprir as exigências impostas por Washington.

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Infecções em hospitais públicos

Um projeto do SUS conseguiu reduzir em 26% as infecções relacionadas à assistência à saúde em UTIs de hospitais públicos. Entre setembro de 2024 e outubro de 2025, a iniciativa Saúde em Nossas Mãos gerou uma economia estimada de mais de R$ 150 milhões. Saiba mais.

Oxímetros e o racismo

Oxímetros de dedo usados em casa tendem a superestimar a oxigenação em pessoas com tons de pele mais escuros, aponta estudo publicado na BMJ. A falha pode atrasar a busca por atendimento médico e agravar quadros clínicos. O problema ganhou visibilidade após a popularização do aparelho na pandemia. Entenda.

Greve em NY

Cerca de 15 mil enfermeiros entraram em greve nesta segunda (12) em grandes hospitais de Nova York, no que já é considerado o maior movimento da categoria na história da cidade. A paralisação pressiona por limites máximos de pacientes por profissional, reajustes salariais e mais segurança nas unidades. Qual a posição do prefeito Mamdani?

Reciclagem na Farmanguinhos

Um projeto da Fiocruz transforma embalagens de medicamentos em móveis ecológicos. A iniciativa reaproveita blísteres descartados na etapa fabril de Farmanguinhos, sem contato com os remédios e sem risco de contaminação, reduzindo resíduos e dando novo uso a materiais que iriam para o lixo. Conheça a iniciativa.

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Guia brasileiro reforça evidências contra ultraprocessados

Ao lado de representantes da OMS e dos programas das Nações Unidas para alimentos, pesquisadores do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP) lançaram um guia que reforça associações negativas entre alimentos ultraprocessados e adoecimento.

O encontro, que apresentou três artigos-bases para sustentar a hipótese, ocorreu na sede da Fiocruz em Brasília. Com a participação de outros países latinos, os trabalhos já tinham sido publicados em inglês na revista Lancet e serão baliza da OPAS para incentivar políticas públicas na região.

O documento é acessível ao público e os textos são didáticos a respeito da correlação cada vez mais frequente entre comidas industriais com variados elementos artificiais e desenvolvimento de doenças coronarianas, diabetes, entre outras condições debilitantes. Há ainda um infográfico que lista os fatores principais de associação entre o aumento do consumo de ultraprocessados e ampliação de tais indicadores em saúde. 

O Guia servirá de apoio a grupos que lutam por agendas políticas de combate ao lobby da indústria do setor, atuante em parlamentos para evitar maior tributação. Também apoiará a defesa de maiores financiamentos à produção de alimentos in natura, uma vez que seu consumo diminui de forma concomitante.

Os estudos em questão foram liderados por Carlos Monteiro, um dos grandes destaques do 14º Congresso da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, realizado em Brasília nesta mesma semana, sob ampla cobertura do Outra Saúde.

Butantan fecha acordo para desenvolvimento de vacina antirrábica

O Instituto Butantan fechou acordo com a Replicate Bioscience, empresa estadunidense, para o desenvolvimento e comercialização de uma vacina antirrábica – uma nova PDP. O imunizante será baseado na tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), e terá uso para profilaxia pré e pós-exposição.

Segundo o Instituto, em um estudo clínico de fase 1, foi observada ótima imunogenicidade, com bioatividade duradoura em baixas doses, acompanhada de reatogenicidade leve/moderada, em contraste com outras tecnologias de vacinas de mRNA.

O desenvolvimento do imunizante chamado RBI-4000 será financiado pelo Butantan, que terá direitos comerciais no Brasil e América Latina. A Replicate terá direito a royalties sobre as futuras vendas do produto pelo Butantan, mantendo os direitos sobre o RBI-4000 em outros mercados. Além disso, ambas instituições compartilharão os dados gerados ao longo da parceria.

HIV: Ministro da Saúde comenta disputa por lenacapavir

No Dia Mundial da Luta Contra a Aids, o ministro Alexandre Padilha comentou o fato de o Brasil ter ficado de fora das negociações para comprar por um preço menos exorbitante do novo e promissor medicamento contra o HIV. “Nós participamos com pacientes, com pesquisadores, com instituições brasileiras, com todo o apoio do do nosso programa, da avaliação e estudo clínico sobre essa medicação”, lembrou. Desenvolvido pela farmacêutica norte-americana Gilead, o lenacapavir demonstrou uma capacidade de prevenir o HIV de quase 100% quando utilizado como PrEP (Profilaxia Pré-Exposição).

A solução inicial apresentada por Padilha é a transferência de tecnologia da Gilead para o Brasil – estratégia que vem sendo adotada pelo governo para desenvolver a indústria da saúde brasileira, questionada por pesquisadores. Mas ativistas defendem também o caminho do licenciamento compulsório: “É preciso que a gente invista no nosso parque industrial nacional, invista no desenvolvimento de novas tecnologias no campo da prevenção e que considere sim o licenciamento compulsório e a quebra de patentes”, defendeu Carla Almeida, Articulação Nacional de Luta contra a Aids, à Agência Brasil.

Ferramentas de combate ao vício em bets

Os danos à sociedade causados por jogos de azar e apostas online já chega a R$ 38,8 bilhões, aponta estudo inédito “A saúde dos brasileiros em jogo”. Os danos em questão são estimados considerando as perdas econômicas e sociais ao país como suicídios, desemprego, gastos com saúde e afastamento do trabalho.

Com isso, uma iniciativa interministerial entre a Saúde e a Fazenda foi lançada, com ferramentas para a prevenção de vício ou compulsão por jogos. A rede pública passa a  ofertar, a partir de fevereiro de 2026, teleatendimentos em saúde mental com foco em jogos e apostas, por meio de parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Além disso, será implementada uma plataforma de autoexclusão que, a partir do dia 10 de dezembro, permitirá ao apostador solicitar seu bloqueio e a indisponibilidade de seu CPF para novos cadastros ou para o recebimento de publicidade das bets.

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Reajustes de planos de saúde

No ano de 2025, o aumento médio nos planos coletivos de assistência médico-hospitalar caiu de 13,19% para 11,15%, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A queda ocorre após dois anos de aceleração dos custos do setor. Entenda.

Credibilidade das vacinas

Conselheiros do secretário de saúde americano RFK Jr. parecem dispostos a fazer mudanças no calendário de vacinação infantil. Membros do grupo, chamado Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização, foram escolhidos a dedo por Kennedy, que há muito tempo faz campanha contra as vacinas infantis. Confira as possíveis consequências.

COP do Tabaco

Com avanços na pauta ambiental e sem acordo sobre cigarros eletrônicos nem sobre as diretrizes regulatórias dos ingredientes de produtos fumígenos, chegou ao fim a COP do tabaco. Veja o que foi tirado.

Saúde da mulher yanomami

Projeto da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais busca fortalecer o cuidado à saúde de mulheres e crianças yanomami na floresta, com foco no pré-natal, parto e pós-parto. Confira o Guia de atenção ao pré-natal na terra indígena Yanomami.

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